Eu sempre me encontro com este ditado popular nas minhas andanças, e não importa o credo ou a ética religiosa que ligue as pessoas à imagem do Criador, ou ainda que elas sejam atéias, haverá um determinado momento que se sentirão pressionadas e encurraladas a ponto de usarem esta conhecida expressão: “ESTOU ENTRE A CRUZ E A ESPADA”.
Difíceis decisões precisam ser tomadas, e elas se encontram em uma encruzilhada que não pode mais ser adiada e carecem de uma atitude emergencial. Na maioria das vezes esta encruzilhada possui duas rotas, a do DEVER e a do NÃO QUERER, ou seja, dois caminhos que não são agradáveis aos nossos olhos mas obrigatoriamente precisam ser trilhados, e ironicamente embora sejam rotas que apontem para um direção diferente ainda assim terminam nos levando para o mesmo alvo do resultado daquilo que não gostaríamos de enfrentar ou de viver, mas que somos impulsionados quando não empurrados, levados pela força contrária a gravidade do nosso querer e do que seria agradável a nós mesmos.
Não sei ao certo quando esta expressão passou a ser usada ou qual seria sua origem histórica, mas acredito que sua base poderia ser cunhada no Evangelho e nas historias de martírio que os cristãos passaram ao longo dos séculos de perseguição, quando estavam sendo aprisionados, perseguidos e maltratados por amor a Cristo, sendo condicionados a fazerem uma escolha entre morrer em nome de sua fé ou negar ao seu Salvador, estavam sendo colocados não só figuradamente como usamos atualmente tal linguagem, mas em realidade, entre a CRUZ E A ESPADA, tinham sua fé provada aos extremos e a maioria deles se tornaram grandes mártires, por haverem optado pela ESPADA, afinal de contas desde que haviam se rendido ao cristianismo já estavam a muito carregando a sua CRUZ, bastava agora concluir sua caminhada e se assim houvessem eles achado graça aos olhos da sua geração teriam o privilégio de morrer pela ESPADA do sistema, mas guardando a fé até o ultimo momento de suas vidas.
O início de suas conversões era marcado pela via dolorosa que teriam de percorrer desde aquele momento até o ultimo suspiro nesta vida, A CRUZ era o presente dos cristãos do passado, acompanhado pelo bálsamo do pentecoste, e a certeza de que a ESPADA dos perseguidores não poderiam calar a voz de uma igreja que bradava na força da ESPADA DO ESPÍRITO.
Qual a CRUZ que temos carregado, ao menos podemos dizer que a temos rejeitado? Ou seria dissonante demais como cristão assumirmos esta realidade? A muito a ESPADA da verdade tem perdido o fio do corte para qual deve ser usada, ao invés de cortarmos os males do presente, manipulamos o futuro dos cristãos que nem mesmo conhecem a CRUZ, quanto mais a ESPADA.
Evangelho de renúncias, sem CRUZ, não é Evangelho (Boas Novas) é boa antiguidade; Evangelho sem ESPADA não passa de conveniência para as nossas necessidades e expectativas de prosperidade e bênçãos, uma troca, uma permuta, um toma lá e dá cá, quando a muito Ele deu antes mesmo de pensarmos em retribuí-lhe, tomou a nossa CRUZ, aquela que não conseguiríamos jamais carregar, e nos ensinou a empunhar não a ESPADA da morte, alertando a Pedro que aquele que vivesse pela força da ESPADA por ela morreria, mas em três poucos anos de ministério mostrou como a verdadeira ESPADA de DEUS (a palavra) pode salvar, curar, sarar, restaurar, libertar, perdoar, ajudar e impactar uma geração!
Ainda assim rejeitamos a CRUZ e empunhamos a ESPADA que mata, que corta a orelha dos que desejam ouvir, que dilacera o coração dos que estão feridos, que corta o último fio da corda que impede alguém de cair no abismo, temos mais prazer em matar do que dar vida, mais alegria em competir do que compartilhar, somos mais impulsionados a sorrir com a derrota dos que choram do que, com a ESPADA da vida destruir os inimigos que lhes oprimem, mas apontamos a ESPADA na direção errada e matamos aquele que seria um dobra a mais na corda, ou melhor que corda? Já usamos a ESPADA para cortá-la!
Que esta geração esteja entre a CRUZ do seu chamado, que em meio à dúvida de que direção seguir, a sombra da CRUZ de Cristo lhes seja um referencial, que a única arma que levem em punho seja a ESPADA que dá vida, que cura, porque é assim que precisamos ser conhecidos, como aqueles que vivem entre a CRUZ DE CRISTO E A ESPADA DE DEUS!
